quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

RÉSISTANCE


Contra vento e maré,
escrevo:
minha pena ora é seca
como areia,
ora é doce
como favas contadas.
Mesmo assim,
frágil nau,
ela irrita
quem se leva
pelas ondas, pelo escambo.
Olha lá, no promontório,
que escândalo: o naufrágio
do poema. Escrevo
contra o tempo: se é sujo o presente,
o passado é meu augúrio.
Contra as loas, contra as lendas,
vai meu canto.
O leitor, porém, meu irmão não é.
É engano.
E ser poeta,
neste cabo do Fim da Terra,
é meu dano.

Otto Leopoldo Winck

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