segunda-feira, 24 de julho de 2017

Poemas de Sérgio Castro Pinto

RECADO A POUND
pound, eu não sou
nenhuma antena.
eu sou a pane
e a interferência
dos meus fantasmas
no tubo de imagens dos poemas.

EXÍLIO
desarvorada,
a madeira
do móvel
desata
os seus nós e estala
a árvore que foi (no exílio da sala).

LAPIDAR
em cada verso
que escrevo,
eu me parto.
a folha é lousa.
poemas, epitáfios.

DOMICILIARES
a) bêbado, cadarços são rédeas
que me põem os sapatos.
bêbado, não chego.
bêbado, os sapatos
me entregam em domicílio.

O LÁPIS
o lápis
é um caniço
pensante
na maré
vazante
da linguagem


Sergio de Castro Pinto

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